Fernando Pellisoli
Sou o Poeta da Loucura da Pós-modernidade
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Meu Diário
27/10/2010 00h24
MEU PRIMEIRO CASO
 
Ainda estava namorando a minha lindinha; mas só haveria de fazer sexo com ela, à medida que ela fosse se regenerando das balbúrdias sexuais espalhadas por toda a cidade: jamais a faria minha mulher sem antes vê-la amadurecer e criar juízo... Mas eu já estava com 17 anos de idade, e precisava exercitar a minha virilidade com alguma mulher experiente – para aprender tudo... Encontrei uma universitária de veterinária chamada Verona: uma mulher morena, charmosa e sensual... Ficamos amantes; mas eu não conseguia a ereção com a coitada: era coisa de pele, de formatação corporal, de cheiro de sexo adverso... Mas, ainda assim, continuamos a nos encontrar, mantendo uma relação intelectual e filosófica de amantes indigestos...
Depois de algum tempo, decidimos, em conjunto, poupar todo o dinheiro possível até o fim do ano; pois haveria de realizar o meu grande e louco sonho de conhecer a cidade maravilhosa: Verona tinha um casal de amigos cariocas, e nós teríamos onde nos hospedar – o dinheiro que juntássemos seria para o nosso divertimento... Não é necessário dizer; mas eu fui juntando todo o dinheiro possível que passava pelas minhas mãos – sempre de fonte honesta, e ficava sonhando com o final do ano e com a minha viagem ao Rio de Janeiro; onde habitavam os grandes artistas do Brasil e do mundo inteiro...
Eis que chegou o fim do ano. A Verona chegou à minha casa, e estava com uma cara estranha... Eu perguntei o que estava acontecendo para ela; mas ela desconversou... Fiquei muito desconfiado de que alguma coisa em relação a nossa viagem estava sinistra... Depois de muito insistir, consegui arrancar dela a verdade: ela havia passado uma semana com a família dela, que morava em Pelotas, e, emotiva, distribuiu presentes para toda a família – e a sua parte do dinheiro juntado com muito sacrifício desapareceu... A Verona me disse que não iria mais ao Rio de Janeiro – na maior cara dura e simplesmente inconseqüente... Levantei-me do sofá, olhei no fundo dos olhos dela e disse: nós vamos viajar ao Rio de janeiro, e vamos como mochileiros – na estrada... A minha mochila já está pronta; vamos até a tua casa para arrumarmos a tua mochila que a estrada nos espera... Ela ficou muito desorientada; mas eu praticamente a obriguei a se aprontar para uma grande aventura...
Quando o dia estava clareando, entramos estrada à dentro, com as mochilas nas costas, pedindo carona aos caminhoneiros... Eu estava furioso com Verona, e não lhe dirigia a palavra, enquanto íamos saindo de um caminhão e entrando em outro... Depois de 4 horas de viagem mal acomodados na cabine dos caminhões, a Verona resmungou que estava com fome: entramos num restaurante de estrada, e eu pedi duas taças de café, e fui logo dizendo que não iria gastar todo o meu dinheiro na estrada; pois era no Rio de Janeiro que iria aproveitar e gastar o meu dinheiro... Disse a Verona que ela iria passar fome na estrada, pois era preciso que aprendesse a ter responsabilidade – e que quando se combina alguma coisa com o parceiro, devemos cumprir com o combinado; coisa que ela não havia feito... Haveria de aprender a levar a sério os compromissos, passando fome na estrada que por certo a faria nunca mais se esquecer de ser correta e responsável com os seus compromissos...
Continuamos a viagem com os caminhões por um bom trecho do percurso, pois era mais seguro – e ainda pagavam cafezinhos... Mas a viagem estava se tornando demorada e prolongada, e eu decidi que iríamos pegar carona com automóveis velozes... Verona ficou assustada; mas eu disse que ela  poderia escolher: voltar sozinha ou seguir em frente com a minha péssima companhia – ela escolheu seguir em frente comigo, ainda que tivesse passando fome... Eu, também, estava passando fome, pois o dinheiro que eu havia juntado era muito pouco; mas daria para passar 2 meses na zona sul carioca – casa e comida, nós teríamos com os amigos cariocas de Verona...
O primeiro carro que nos deu carona voava na estrada, com um sujeito aloucado, que, repentinamente, resolve fazer uma ultrapassagem de grande risco: por segundos nós não fomos para o outro lado da vida – um grande susto! Mas foi pegando caronas, com sujeitos mal encarados, que fomos entrando na cidade maravilhosa dos meus sonhos: o sujeito da última carona era do Bem, e nos mostrou toda a zona sul carioca – fiquei deslumbrado, ou melhor, desmunhecado... Nunca poderia imaginar que o Rio de Janeiro (do qual só havia conhecido por cartões postais) fosse tão lindo: uma estupenda exuberância do esplendor! Eu disse aos gritos para a Verona: “eu vou morar aqui!”
Ficamos dois meses no Rio de Janeiro; mas eu terminei o meu caso com Verona e lhe disse: “daqui pra frente é cada um por si aqui no Rio”... Eu fiquei em Taquara, na casa da noiva do Marcos – que se chamava Gabriela... Todos os dias serviam berinjela (no almoço e na janta), e eu, que sempre comi de tudo, não suportava nem olhar para a berinjela: era berinjela ensopada, berinjela recheada, berinjela assada, berinjela frita – eu fui engolindo a contragosto; mas acabei por gostar da dona berinjela... Acordava cedinho para pegar o ônibus e ir para a Barra da tijuca, Copacabana, Arpoador, Ipanema, Leblon... Às vezes cruzava com a Verona, que ficou na casa do Marcos, mas não lhe dava a mínima atenção; e muito menos o meu mísero dinheirinho juntado com milhares de sacrifícios... Aproveitei o que eu pude da zona sul carioca, inclusive alguns namoros de adolescentes... Depois de passados os dois meses de curtição, estava muito decidido a morar na zona sul carioca: haveria de encontrar uma oportunidade, e a minha aguçada intuição me dizia que a minha vontade iria se materializar...
Arrumadas as mochilas, eu e Verona tínhamos que retornar ao sul, e agora sem dinheiro até para o cafezinho... E começamos a viagem sem nos falarmos, e assim fomos viajando, de carro em carro, sem uma palavra: a Verona era uma morena charmosa, e os homens se insinuavam com ela; mas eu não tomava conhecimento de nada – tão lúcido e desinteressado por aquela mulher desleal, que foi incapaz de cumprir com a sua parte no combinado... Quando chegamos a Porto Alegre, ela me disse que ficaria: sem despedidas, segui o meu rumo à Santa Maria: e nunca mais ouvi falar na universitária de Veterinária que se chamava Verona...   
 
 
 

Publicado por FERNANDO PELLISOLI em 27/10/2010 às 00h24
 
16/10/2010 00h12
MELANCOLIA DUM MOTOQUEIRO
 
Um motoqueiro louco e melancólico é algo inenarrável, e insisto em afirmar que se a cinematografia americana tivesse filmado os meus quatro anos de motoqueiro endiabrado, haveria de ter virado celebridade – e quem sabe herói... Lembro como se fosse hoje: estava estacionado, e resolvi sair levantando a roda dianteira para fazer bonito; mas eu acelerei demais e perdi o controle da moto, indo de encontro a um carro estacionado no outro lado da rua – sem nenhuma maldade, arranhei toda a lataria do automóvel, que permaneceu imóvel, enquanto eu zarpava em disparada...
Numa madrugada calorenta, depois de um baile, resolvi tirar a moto da garagem às 5 horas, completamente embriagado e chapado; acompanhado de um camarada meu: já saí batendo no portão do prédio, e desci uma rua tipo ladeira acelerando o máximo possível – e um grande detalhe: já tinha seis meses que eu estava sem embreagem, segurando a moto no câmbio... Passei voando por uma praça, onde dois brigadianos faziam a ronda... Três quadras abaixo, eu olhei pra trás para falar com o meu parceiro, e subi na calçada; batendo a moto e eu na fachada de uma casa de material: fiz um rombo de dois metros na casa, amassei a direção da moto, rasguei um casaco emprestado pelo meu irmão e o meu parceiro gemia estendido na calçada... Eu já estava tentando fazer a moto ligar, enquanto percebia que os tais brigadianos estavam vindos em nossa direção... A moto não voltou a funcionar, e pela primeira vez, depois de dois anos motoquiando em Santa Maria, era contido pela brigada militar: enquanto um deles foi buscar o carro guincho, o outro ficou segurando o meu braço – e por mais que eu pedisse para ele me liberar, pois morava a cinco quarteirões dali, não houve jeito de haver negociação... Guincharam a minha moto, e eu fui parar numa delegacia: sem documentos meus e da moto; tive que aceitar a apreensão da moto... Mas 15 dias depois, um amigo meu graúdo deu um carteraço e conseguiu a liberação da minha moto...
Noutra madrugada, saindo de um baile, vinha subindo a rua principal de Santa Maria, com o boró escancarado, sem pára lamas, quando, repentinamente, numa distância de 100 metros, um brigadiano empunhou um revolver em minha direção, e me deu voz de prisão: 100 metros eram muita distância para um motoqueiro louco e hábil como eu; fiz o contorno em segundos, e disparei em ziguezague, dobrando na primeira esquina que me surgiu... Se o brigadiano tivesse atirado, talvez eu não estivesse aqui a escrever a minha autobiografia... Ou talvez estivesse paraplégico...
As garotas bonitinhas gostavam de andar na minha carona, porque eu era um bom rapaz respeitador: uma vez, uma delas me pediu uma voltinha... Ela estava vestindo um pala gaúcho, e eu pedi para ela tirá-lo: ela insistiu dizendo que tomaria todo o cuidado, segurando o pala entre as suas pernas... Acabei por deixá-la subir na moto com o dito pala; mas passados alguns minutos do passeio, inesperadamente, a minha moto travou, e me jogou por cima a uns 4 metros de distância... Quando eu me recuperei do susto, fui ver o que tinha acontecido: o tal pala estava todo corroído na Correa salvação dela foi devido o pala ser aberto na cabeça, o que a fez deslizar sobre a cabeça da garota... Fiquei muito zangado com a garota, pois havia prevenido do perigo...
Tem uma história muito engraçada que me aconteceu: estava num barzinho, sem a minha moto, pois estava sem dinheiro para botar gasolina, e encontrei um amigo meu – que era motoqueiro, bastante embriagado... Ficamos conversando um pouco; mas eu falei para ele que deveria ir para a sua casa, pois já tinha passado da conta... Ele pagou a conta e me pediu que fosse pilotando a sua moto: assumi a direção da moto, com ele na garupa, e fomos embora... Passando por uma rua escura, fui reconhecido por uns fanzocas meus: acabaram por me desafiar, e eu odiava ser desafiado encima de uma máquina... Disseram que já que eu era o Gomes louco, então que eu passasse para a carona, dando o controle para o dono embriagado... Depois, eu deveria passar por baixo do piloto, com a moto a 40 kl por hora, e assumir o controle, passando o piloto para a carona... Tudo isso parecia ser impossível de se fazer, contando que o dono da moto estava bêbado... Mas eu gostava de desafios, e aceitei a maluquice: pedi que todos sentassem na beirada da calçada para assistirem a minha proeza, e para que nunca mais duvidassem de um louco... Passei o dono da moto para o controle, e sentei-me na carona ansioso: pedi que fizesse o retorno, atingindo a velocidade de 40 kl por hora... Quando estávamos quase nos aproximando da platéia, falei para o dono da moto erguer o seu corpo, pois eu iria passar por baixo... E foi o que aconteceu, com um pequeno detalhe: quando eu passei por baixo, ele ficou encima de mim – a moto começou a ladear em ziguezague, e pressenti que iríamos cair os dois... Mas eu, que não brincava em serviço, empurrei o dono da moto para trás, e, por alguns minutos, eu lutei com aquele cavalo de ferro descontrolado... Desviei duma árvore, subindo numa calçada, raspei o pára-lama na parede de uma casa e estacionei a moto intacta, sem nenhum arranhão... Quando olhei para trás, eu vi o dono da moto estendido no asfalto, gemendo de dor... Os fanzocas ficaram abismados com o que viram, e me pediram desculpas por terem me testado... E eu dei boas risadas, ergui o dono da moto e o levei ao hospital mais próximo para ver se havia algo agravante, além dos prováveis arranhões... Ficou tudo bem, e eu o levei até a sua casa que, felizmente, era perto da minha...
Uma grande loucura que eu fiz é de se duvidar: um amigo meu me deu uma carona na sua moto, e eu resolvi fazer graça aos transeuntes: pedi para ele fazer o retorno à rua principal de Santa Maria, e que ele mantivesse uma velocidade de trinta kl por hora; pois que eu iria saltar da garupa e sair correndo sem cair ao chão... A loucura foi realizada, e eu saltei e comecei a correr: perdi as forças das pernas e fui parar embaixo de uma caminhoneta, esfolando os meus braços e a minha barriga – foi uma grande estupidez e uma situação horripilante...
Como eu disse foram quinhentos tombos e duzentos acidentes; impossível de lembrar tantas ocorrências – mas gostaria, para encerrar estas maluquices, de dizer que nós, os motoqueiros maconheiros aloucados, tínhamos uma gangue de uns 100 motoqueiros arruaceiros... Saímos nos horários de entradas escolares, para azucrinar as menininhas na entrada das aulas... Os brigadianos ficavam furiosos com as nossas algazarras, e tentavam nos dar bordoadas com os seus cassetetes: mas todos nós éramos impossíveis, e não medíamos esforços para impressionar e chamar a atenção das gatinhas... Soube que eu sou o único sobrevivente desta gangue, pois todos morreram acidentados com as suas devidas motocicletas... Eu fico até arrepiado, pois eu era o único louco de verdade; mas Deus protege as crianças, os bêbados e os loucos...
A perda da minha grande paixão proporcionou-me esta melancolia agressiva, onde a minha moto me fazia o papel de um analista; podendo extravasar as minhas angústias, os meus medos e os meus desgostos existenciais... 
 
 
 
                                     

Publicado por FERNANDO PELLISOLI em 16/10/2010 às 00h12
 
12/10/2010 08h28
MOTOQUEIRO ALOUCADO
 
Aos 17 anos de idade, eu consegui convencer a minha mãe; e ela comprou-me uma moto yamarra modelo cross 125 cilindradas: eu penso que foram as poucas cilndradas que salvaram a minha vida, tamanha foram as loucuras que eu aprontei encima do meu cavalo xucro de ferro... Antes de ganhar a moto de presente da minha mãe, estava desenhando e escrevendo regularmente: o gosto pelas artes já vinha dos tempos infantis, onde com 7 anos de idade, dentro da sala de aula, depois de ter acabado as tarefas escolares na frente da turma, escrevi o meu primeiro poema – e nunca mais deixei de poetar... E com 7 anos, já desenhava um desenho estilizado e personalizado, que despertava o interesse pelos colegas e pelos professores; mas nunca recebi incentivo cultural às minhas artes precoces...
Com o fascínio do motociclismo, interrompi a minha produção literária, e passei a andar de moto 24 horas por dia; mal tendo tempo para me alimentar e dormir... Eu queria me tornar o melhor motoqueiro e o mais audacioso, para chamar a atenção da minha lindinha, afastando-a da influência negativa dos motoqueiros maus e arruaceiros e maconheiros... A minha lindinha, apesar de perceber que eu era um motoqueiro duro na queda; exigiu que eu passasse a consumir maconha e a cheirar cocaína, para ela voltar a ser a minha lindinha... Eu estava perdidamente apaixonada por ela, e não tive outra alternativa a não ser me submeter às exigências da minha doce bonequinha...
Andava na minha moto sempre chapado: as loucuras que eu cometia no trânsito de Santa Maria, enlouquecendo os motoristas de carros, de ônibus e lotações, sem deixar de contar os transtornos que eu causei aos brigadianos santa-marienses... A minha moto nunca foi emplacada, e eu nunca tirei carteira de motorista na minha vida: vivia escapando dos terríveis brigadianos, apresentando infinitas audácias, com manobras inenarráveis, que enlouquecia a cidade inteira... E passei a ser conhecido como o Gomes louco...
Milhares de conhecidos caíram de moto comigo, ou melhor dito; todos que andaram na minha garupa, derraparam nas curvas junto comigo... Foram mais de quinhentos tombos e mais de duzentos acidentes de trânsito em 4 anos de condução motociclista irregular... Havia em mim uma fúria rebelde pela minha acne crônica, uma tristeza imensa pela falta do meu pai e uma angústia por ter interrompido o 1º grau... Nem o meu irmão que era meio nervoso e medroso; não escapou de levar grandes trompadas e grandes tombos de cinema... Se tivessem me filmado durante estes 4 anos de motoqueiro louco e rebelde, seria consagrado nos Estados Unidos... Até a minha lindinha derrapou numa curva comigo, e deslizamos no cascalho agarradinhos; dando loucas risadas...
Talvez se eu pudesse lembrar de todos os tombos e de todos os acidentes que eu provoquei, haveria de escrever um filme com ações cinematográficas... Depois de muitos tombos e muitos acidentes, a minha moto foi ficando deformada e com o tanque todo amassado... Sem dinheiro para consertá-la, fui perdendo o amor que tinha por ela; e me tornei um motoqueiro muito mais agressivo: retirei os pára-lamas e abri o cano de descarga, ficando com um barulho insuportável... As minhas estripulias pela cidade, as minhas correrias inconseqüentes deixavam todos os brigadianos endiabrados comigo: uma vez, eu vinha voando por uma das ruas principais de Santa Maria; quando o sargento tala larga, com dois de seus brigadianos, tentou me deter bloqueando a minha passagem... Ele cometeu o erro de fazer a barreira quando eu ainda estava a uns 100 metros deles: não tive dúvidas, acelerei a minha máquina investindo contra os três brigadianos que ficaram boquiabertos – acabei atingindo o sargento tala larga com um pontapé no peito, que o derrubou... Os dois brigadianos ao tentar segurar o sargento, acabaram caindo juntos: foi muito engraçado, e todos que assistiram de camarote deram boas risadas...
Uma vez, eu estava descendo uma das ruas principais de Santa Maria, e uma camioneta passou voando por mim, fazendo provocações e enfumaçando a minha moto: eu estava com o meu irmão na garupa – avisei para ele se firmar bem na moto, pois iria perseguir o motorista atrevido daquela camioneta de bacana... E fui acelerando o máximo para alcançá-lo: como ele tinha mais máquina do que eu, o desgraçado deixava eu me aproximar e pisava fundo... E nesta perseguição desleal e inconseqüente, fui avisado pelo meu irmão que havia uma Kombi descarregando cigarros logo mais à frente... Disse-lhe para se segurar muito bem, pois eu não iria diminuir a velocidade: um grande estrondo, e eu arranquei a porta da Kombi – o rapaz que estava descarregando os cigarros apavorou-se e jogou-se para dentro da Kombi, salvando a sua vida... Eu bati muito forte com o joelho esquerdo e esmaguei a minha mão esquerda na embreagem: a minha mão ficou tão inchada, que eu tive que manobrar a minha moto só no câmbio até a minha casa...
Uma vez, um motoqueiro dos mais loucos e bons me provocou para um pega: subimos os dois super acelerados numa rua elevada, e quando entramos na primeira curva, só Deus sabe o que aconteceu... Eu estava correndo por fora, e ao fazer a curva aberta, havia uma fusqueta velha dando marcha-ré bem na esquina: não tive outra alternativa, larguei a moto e pulei; pois a moto foi parar embaixo do fusca, e eu encima do capô da lata velha...
Outra vez estava subindo a rua principal de Santa Maria, numa velocidade média, quando um motoqueiro, com uma 450cilindradas, passou chispando por mim; deixando uma fumaceira sobre mim: não tenham dúvidas, pois eu, com a minha cross 125 cilindradas, acelerei tudo que a minha máquina suportava – estávamos na quarta quadra da rua principal, e a primeira quadra, naquela manhã ensolarada, estava cheia de magrinhos encostados nos carros, curtindo um bate-papo informal... Fui invadindo a terceira quadra, e o motoqueiro arrogante na frente; mas quando ele aproximou-se da segunda quadra, a sua valentia fraquejou, reduzindo o seu cavalão de aço... Eu que não dormia de toca, passei zunindo pelo abobado, jogando muita fumaça na cara dele; mas ao me deparar com a primeira quadra fiquei sem poder pensar muito, devido a alta velocidade da minha moto: a primeira quadra estava apinhada de carros engarrafados e, pasmem meus leitores, todas as minhas sinaleiras ficaram entortadas... Risquei as portas de dezenas de carros, até me livrar da primeira quadra e fazer o contorno para deixar a minha moto em casa, pois todos queriam me linchar se tivessem podido me alcançar... Guardei a moto na minha garagem, e fui me encostar nos carros da primeira quadra, para ouvir a balbúrdia que eu provocara: o sargento e seus brigadianos diziam: eu ainda pego o Gomes louco!
Esta minha impetuosidade era devido a minha revolta que eu tinha com a minha vida de sofrimentos (devido a minha acne crônica), e, principalmente para conquistar o amor da minha lindinha, por quem eu era tão apaixonado... E de fato, eu conseguira manter a minha bonequinha o maior tempo possível ao meu lado; mas infelizmente, eu era obrigado a fumar maconha e cheirar cocaína: precisava provar para ela que eu era um louco de verdade... Mas infelizmente, o nosso namoro degringolou-se; e a minha lindinha casou-se com um artesão aventureiro e foi-se embora de Santa Maria: fiquei muito melancólico por dois anos, e depois decidi ir para o Rio de Janeiro tentar a vida como modelo e ator – vontade de sonhar não me faltava...
 
                            

Publicado por FERNANDO PELLISOLI em 12/10/2010 às 08h28
 
06/10/2010 23h58
MAIS ADOLESCERES
 
Devo esclarecer aos leitores que eu e a minha lindinha não fazíamos sexo; só sarrinhos orgásticos... A minha estúpida vergonha de me despir diante dos outros, devido a minha doença de pele, me fazia recuar às investidas da minha bonequinha: o pior de tudo é que a minha louca namoradinha começou a transar com a cidade inteira; e isto me deixava profundamente depressivo... Passou a ser caroneira de motoqueiros arruaceiros e maconheiros... E eu estudava os meus livros, sempre pesquisando o saber do conhecimento humano e sobre-humano... Mas estava sempre disponível à minha lindinha: quando ela queria sair à noite ao cinema ou ir à boate, sua mãe, que era alcoólatra e fumante inveterada, só permitia as suas saídas noturnas acompanhada da minha digníssima pessoa...
Eu fui ensinado a fumar, pasmem, pela minha tia (irmã da minha mãe), com apenas 9 anos de idade... Depois que eu aprendi a fumar com a titia “maravilhosa”, comecei a ir ao campo de futebol do Internacional de Santa Maria... Sabem o que eu fazia? Pois bem, eu ficava embaixo das arquibancadas, pegando as baganas de cigarros... É evidente que eu fumava tudo até queimar os dedos... Depois de algum tempo, a minha mãe descobriu que eu fumava os cigarros dos outros; pois não é que ela passou a me comprar um maço de cigarros por dia – pois que eu não fumasse o cigarro dos estranhos... E foi assim que eu me tornei um estúpido fumante precoce... Quando a minha mãe não me dava dinheiro para comprar cigarros, sabem o que eu fazia? Pois é, eu filava um cigarro de cada fumante até completar um maço de cigarros: e saía todo faceiro, com 20 cigarros na minha carteira que antes estava vazia...
Os anos passavam. Eu estava completando 16 anos de idade, e a minha lindinha 12 anos de idade... Havia mudado muito o seu caráter devido ao ambiente péssimo da pensão, onde morava com sua mãe, sempre cheia de homens fumantes e bêbados... As suas andanças com os motoqueiros da cidade, que usavam drogas, a viciaram em maconha e cocaína: começou cheirando, e depois se injetando... A minha lindinha não prestava mais atenção em mim; e eu mais apaixonado do que nunca: ela ficava a cada dia mais exuberante, mais escultural e mais bela... Fiquei a pensar numa maneira de fazê-la a se interessar por mim... De tanto pensar, percebi que só havia uma maneira de tirar a minha bonequinha dos motoqueiros: tornar-me um motoqueiro, e o melhor de todos os motoqueiros de Santa Maria... Fiquei 1 ano convencendo a minha mãe a me comprar uma moto Yamarra importada: exatamente com 17 anos de idade tornei-me um motoqueiro, que ficaria conhecido na cidade inteira como o “Gomes Louco”... Amanhã, eu continuarei narrando as peripécias de um motoqueiro aloucado...
 
 
 
                             

Publicado por FERNANDO PELLISOLI em 06/10/2010 às 23h58
 
06/10/2010 23h55
ADOLESCENDO MAIS
 
Apesar de sofrer muito com a Acne Crônica, levava uma vida normal, até que um dia, no clube, vi um aviso, no quadro de informações, que portadores de dermatites estavam proibidos de usufruir-se da piscina: fiquei muito depressivo, principalmente porque não poderia mais obter os meus orgasmos com a minha lindinha...
Uma vez, eu viajei para Porto Alegre (é bom lembrar que nasci em Porto Alegre; mas cresci em Santa Maria), para assistir um show da Rita Lee no Gigantinho: estavam todos muito excitados esperando a grande roqueira, sempre fumando maconha e cheirando cocaína – eu, que era careta, ficava abismado com a loucura da galera... Mas, confesso que acabei dando tapas na maconha, para me preparar psicologicamente ao grande show... O espetáculo começou e a multidão foi a loucura já nas primeiras músicas cantadas pela inenarrável Rita Lee... Foi uma grande emoção que eu vivi na minha adolescência, com 15 anos de idade...
Outra vez, eu fui passar uma semana no apartamento da minha tia (irmã da minha mãe), e acabei por me transformar num boêmio precoce; pois minha tia morava na Rua Sebastião Leão – que era uma transversal à Rua João Pessoa: a Rua João Pessoa era transbordada de inferninhos (boates e barzinhos), e eu me joguei à gandaia, fumando, bebendo e saindo com mulheres mais velhas... Uma semana de grandes aprendizados com o sexo oposto: saía, no final da noite, com os músicos e muitas mulheres sem saber por onde me levariam: acabava sempre no apartamento de um deles, com uma mulher esfomeada por carne fresca – todos gostavam de mim, e me chamavam de Fernandinho... Acabou-se a semana na casa da tia, tive que retornar para Santa Maria – mas a experiência tornou-se inesquecível... E o meu desempenho com as mulheres melhorou muito...
Lembrando da minha primeira vez com uma mulher, eu penso que foi aos 13 anos de idade; e foi numa zona de prostituição com uma mulher de 45 anos de idade... Depois de ela enfiar o meu pinto no buraco, pois eu não o achava, ficou gozando várias vezes... No final, elogiou-me, e me disse que poderia ter outro igual a mim; mas que um melhor não poderia existir – apesar de não ter um pênis grande... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Publicado por FERNANDO PELLISOLI em 06/10/2010 às 23h55



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